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O auditório da Estácio de Sá ficou pequeno. A capacidade do lugar – localizado na Avenida Presidente Vragas, coração do Rio – era de 150 pessoas. Ma havia gente se espremendo pelos cantos e outros tantos em pé, nos corredores laterais. Tudo para acompanhar o time de especialistas selecionados pela Rede Rio Música para falar sobre “Novas mídias e formas de divulgação”, na primeira noite do Ciclo de Palestras e Debates. Paulo Lima (iMúsica), Luiz Pimentel (MySpace – SP), Gabriel Marques (Moptop), Bernardo Palmeira (Binário / Bolacha Discos) e Maurício Bussab (Tratore – SP) fizeram apresentações sobre seus trabalhos, dedicaram-se ao tema da noite e responderam as perguntas da platéia. Sucesso absoluto.
Quem começou falando foi Rodrigo Brantes, gerente do Sebrae. Ele contou sobre como a coordenação da instituição que representa está olhando para a música no Rio de Janeiro e apostando nela. Brantes destacou o Rio como um lugar único em matéria de criatividade e disse que “quem dará o ritmo para o desenvolvimento do projeto não é o Sebrae, é a Rede (Rio Música).” Arthur Bezerra, da área da economia criativa da instituição, fez em seguida um apanhado sobre a formação do grupo.
Depois, foi a vez de o primeiro debatedor da noite mostrar seus conhecimentos. Luiz Pimentel, do My Space, falou sobre os “milhares” de caminhos dentro da internet e disse que ela, a rede mundial de computadores, não pode ser apontada como inimiga da música. “A internet tem seu caminho. O CD tem seu caminho. Em 1982, a música foi para o formato digital, com o CD. Em 1999, veio o Napster”, datou o jornalista, para facilitar o entendimento de quem estava lá. Segundo Pimentel, hoje, há pessoas que têm em torno de 25 anos e que migraram para a internet, abrindo um pouco mão das formas tradicionais de ouvir música e absorver informação. E há também as de 20 e poucos anos, que já nasceram mergulhadas na WWW. Pimentel destacou ainda a Web 2.0 e falou do conceito de “gratuidade”.
Era a vez do músico e produtor Bernardo Palmeira, que começou falando das apresentações que fazia, ao vivo, com sua banda, na Praia de Ipanema, sempre aos domingos – prática que fez dele um sujeito conhecido na cidade e lhe rendeu dois vinis lançados por um selo londrino. Bernardo, um dos homens fortes da Bolacha Discos, destacou sua opção pelo formato SMD e a importância da parceria entre selo e bandas. Em seguida, passou a bola para Maurício Bussab, da distribuidora Tratore, que seguiu falando sobre a internet.
Para Bussab, “trabalhar sozinho é uma maldição” e “as pessoas precisam se associar”. Ele disse ainda que, hoje, “ninguém é descoberto” e “o artista tem que entender de negócio, tem que saber gerenciar as pessoas que trabalham em volta”. Bussab posicionou-se contra a DRM (digital right management) e disse a partir disso que, “digitalmente, o que está sendo oferecido ao consumidor é pouco e ruim”. Para ele, “DRM é a melhor maneira de perder um cliente, porque o cliente paga e você complica a vida dele”.
Gabriel Marques, da banda Mop Top, que estava lá para falar da experiência que teve com seu grupo ao usar novas formas de divulgação, contou a história de sua carreira. No momento em que uma grande gravadora fez a proposta a eles, pesaram os prós e os contras. “O grande contra foi não poder mais colocar a música de graça na internet”, declarou o artista. “Os primeiros meses foram frustrantes para a gente. Tínhamos que comprar o CD a R$ 13 da gravadora para vender a R$ 10 nos shows”, lembrou, dizendo que era fundamental que o público conquistado até ali tivesse acesso às músicas. Gabriel declarou lá em primeira mão que em breve o Mop Top vai lançar seu segundo disco pela Universal Music e que poder gravar as coisas sem ficar controlando o relógio é ótimo. E brincou: “A gente agora não joga nas 11, a gente joga nas seis…”
Paulo Lima, diretor executivo do iMúsica, falou do negócio que ajuda a dirigir. Disse ele que “o problema não é DRM, é existirem mais de um DRM”. Lima acredita que o volume de negócios no formato digital vai crescer e revela otimista os números da empresa que dirige: “Em dezembro de 2006, tínhamos 100.000 músicas disponíveis. Hoje, em junho de 2008, temos 1.750.000.”

POR ADILSON PEREIRA

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