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É o fim de uma era da música online

Miquel Caetano, do Blog Remixtures

Os três co-fundadores da rede social de música Last.fm, anunciaram hoje no blog oficial que tencionam abandonar a empresa londrina. Martin Stiksel, Felix Miller e Richard Jones referem que o número de utilizadores do site mais do que duplicou ao longo dos últimos meses, para 37, 3 milhões de visitantes únicos. Mas então porquê sair numa altura em que as coisas estão a correr tão bem?

Na verdade, o anúncio é não só lógico como surge também numa altura um tanto ou quanto inoportuna a ponto de deixar um leve amargo na boca dos utilizadores do site.

Em primeiro lugar, porque foi há pouco mais de dois anos – em Maio de 2007 – que a CBS adquiriu a empresa por 280 milhões de dólares. Apesar de Stiksel e Miller terem adiantado ao PaidContent que este fato não passou de uma mera coincidência, a verdade é que quando uma grande empresa adquire uma startup é costume aquela obrigar os fundadores desta a manterem-se na empresa durante um determinado período de tempo.

Depois, porque há apenas algumas semanas atrás o TechCrunch voltou a envolver a Last.fm em relações perigosas com a RIAA. Segundo fontes confidenciais contatadas pelo blog de tecnologia, a CBS teria divulgado dados musicais dos utilizadores do site à associação que representa os interesses das grandes editoras nos Estados Unidos. Não obstante a equipe da Last.fm ter negado terminantemente todas as acusações, muitos membros da comunidade ficaram ainda mais desconfiados.

Por fim, e apesar do aumento do número de visitantes, a verdade é que o mercado publicitário já não cresce como antes, o que acaba por prejudicar bastante as finanças da Last.fm. Deve ter sido justamente por isso que no final de Abril a empresa decidiu começar a cobrar três euros ao mês pelo acesso ao seu serviço de rádios personalizadas a todos os utilizadores residentes fora dos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. Some-se a isto tudo a concorrência cada vez mais feroz do Spotify em certas partes da Europa e está o caldo entornado.

O que me parece é que os três co-fundadores pretendiam “pisgar-se” o mais cedo possível para outras paragens longe do controle centralizado de grandes organizações. Ao contrário do Tiago Dória, penso que este abandono marca o início do fim da Last.fm enquanto “marca” autónoma da Web social. Outras alternativas menos (Twones) ou mais abertas (Libre.fm) de recomendação social de música estão a começar a surgir. Embora eu não acredito que a rede social Last.fm venha a desaparecer tão cedo, não me admiro nada se um dia a CBS decidir absorver pura e simplesmente o serviço no seu site. Quem sabe com a designação de “CBS Social Music”? E olhem que isto foi escrito por um vetusto utilizador da Last.fm – a fazer scrobbling desde Julho de 2003.

P.S: só para juntar ao já extenso rol de broncas da Last.fm, recentemente os utilizadores do site foram alvo de um ataque de phishing com vista a roubar-lhes o nome de utilizador e a palavra-passe. Realmente, foi mesmo uma ótima altura para sair da empresa

(foto de Peter Gerdes segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)
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